O dito anexo era a gruta do Ali-Bá-Bá! O aroma do espaço entranha-se até ao tutano. Todos os sentidos em alerta papilar.
Compotas francesas de sublime bom gosto. Conservas que se conservaram até à nossa chegada. Já vos falei dos binhos? Fui revendo as datas da validade. Mesmo tendo algumas passadas do prazo, eu tinha imenso prazer em enganar o relógio. Havia um foie gras com um ano de atraso que estava uma delícia. Tostas antigas, saudades das fomes campistas que souberam a ninfas desnudas em pantagruélicas lambêtas. Já vos falei dos binhos?
Abri uma garrafa sem rótulo de campeão. Apenas um papel desbotado que parecia dizer “vinho caseiro”. Uma garrafa deitada, longo sono, rolha sangrenta a mostrar a cor e um certo cheiro. Já devia estar mais que estragado… Assim que a rolha fez plop, tudo ficou em suspense. Verti docemente o licor naquilo que seria um copo de cristal. Não percebo nada de vidros. O binho espreguiçou-se até meio do copo. Balancei-o a dançar e a mostrar a cor. Provei. Hum. Hum… Ao segundo sorvo só me apetecia ir para padre. Para dizer missa. Abre-Léluia que esta garrafa num sai daqui biba!!
Fui vendo mais datas das balidades a resbalar. Por uma espécie de magia, uma longa faca ia cortando fias fatias de presunto. Com “guerdura” e chicha que parecia manteiga. O pão de Pitões, nacos de côdea e centeio, fazia de sofá-cama rilhante a tamanho manjar. O maestro, na sala da música, tinha desmaiado no silêncio.
A flor-Agreste, era agora uma gata branca que dormia enquanto a história ia sendo apresentada no grafismo da censura...

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