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terça-feira, 15 de outubro de 2019

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

 entre 2 margens
clicar na pintura
as tormentas da Cantareira
(a Raul Brandão)
este Domingo, em Gaia... 
— com Ana Lourenço
a preparar domingo à tarde, na praia da Aguda...

O meu corpo é de terra tenra
De auga azul é a miña cabeleira
Levo lume de vida no meu ventre
E a miña liberdade é o aire
Que se espalla na infinda harmonia do universo
Perpetúome no prazer
Vou no gozo de Gaia
Grande para todos os seres…
(Carmen Blanco – um mundo de muller)


Eis Gaia num poema Galego onde toda a geografia do sentir se faz agora a cores. São danças inocentes herdadas em farrapinhos do Senhor Klimt… até no sonho a manipulação sorri. O lar distante onde os mistérios criativos se juntam faz a entropia. E um azul patinado em sorrisos não volta atrás. Espalha-se e revolve a alvura da trama. Depois o desenho a fazer poemas em policromias sorridentes. Sempre a sorrir. É assim que imagino a Ana a pintar… imagino o diálogo entre a tela. Uma espécie de espelho onde Gaia se desnuda e propõe um pacto com o sentimento e o cosmos, levitação de parar o tempo. Depois a procissão da cor, a marcha lenta da harmonia. A metáfora pintada em espiral de sensual sedução. A suavidade da cor. Quase algodão a voar. Nuances da mesma cor em dançarina fugidia. Sonhos de água em matizes de seda. Tudo isto de braço dado a um Porto sentado no silêncio da espera. Uma guarda de honra ao universo de Gaia. Ao Universo da Ana. Ao Jardim poético da Ana. São histórias intemporais a escorar duas gerações com vinte anos de fronteira. Os peixes do Douro indecisos na margem. A ponte D. Luis, aliança de ferro e aço no casamento de Gaia e Porto na sua devida deturpação. Mais ao fundo a Cantareira, prensada ao mar e flutuada a remos até à Afurada… depois mais peixes, mais azul, mais sonho. Depois a maré começa a vazar até ao esbranquiçar da tela. Branca, espuma branca da salsugem…

Pólen - entre Gaia e Porto...