Nova pausa, nova manifestação de dúvidas azuis a envolver. Alegro e bastante trôpo. Isto de inventar mundos tem o seu quê de estrambólico. Trovoadas em fim de estação atravessaram a sala. Quinze libras. Relâmpagos em saldo. Uma truta mourisca alçou a perna e fumou uma pirisca. Sinal vermelho. Fiz alongamentos de braços durante hora e meia. Até as pevides transpiravam. Andar assim à deriva no mar alto tem os seus efeitos secundários.
Duas raposas marinhas secavam as lampreias na soleira da porta. O piloto da barra embirrava com os códigos Morse. E mais uma revoada de azul chegou ao fim. A espiral visionária da grande tormenta encostou na valeta e adormeceu. Depois começou a ressonar. Desci da escada. Abracei uma pausa com olhos azuis. Esfreguei a focinheira da cadela suavemente até limpar o azul das mãos. Ficou tão bonita. Ouvi de seguida o Blue, da Joni Mitchell, enquanto dançava com ela. Olhava a parede. A parede olhava para mim. A cadela espreguiçou-se… Nova pausa. Tinha de sair de casa. O dia começava a descer as persianas. Ainda uma réstia de pôr-de-sol a dizer adeus. Três linhas no céu. A rasgar o azul. Uma gaivota e um cartaz do vinte e cinco de Abril no bico. Somos livres, somos livres, uma salada de cravos no ar e um frio nos dentes a dizer que tinha de pensar em morfar.
A caminhar direitinhos ao Café do Moinho onde se fazia em tempos lentos o longo tapete de Arraiolos...

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