domingo, 2 de fevereiro de 2025

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O dia seguinte acordou com um sol em fato de banho. Estava um dia lindíssimo. Seria ainda de manhã? Saímos de casa a correr estrada fora. Havia que começar a pensar no modo de preparar o cerco das tintas naquela bela parede. Fomos dar uma volta maior pelo caminho para evitar mais uma queda com estilo naquele desvio para o mar. Parámos ainda no café do moinho, a pedir mais mantimentos alimentares para quando a fome se sentisse sózinha.

Ficaram de levar tudo lá a casa mais na chegada da noitinha. Tinha ali um bom porto de abrigo. A Isca ganiu e teve direito a mais uns pedaços de fígado com cebolada. Depois do café tomado, depois duma água tónica com limão para lavar o casco da noite anterior, avançámos a chapinar os restos da espuma que sobravam das ondas cansadas da repetida rotina. Fixava no horizonte as cores que deslizavam na imensidão do Atlântico. O meu sorrir foi ficando cada vez mais sério.

Agora caminhava calmamente para casa. Decidido a pegar nas tintas duma vez por todas. Ui, esta parte da escrita está a ficar muito séria. Estava em jogo um pequeno passo do homem mas uma grande pessegada para a posterioridade. Ah, está a ficar melhor. Primeiro pensamento firme. Falhar com sinceridade. Dar à parede a raiva toda de um mar em fúria. Pelo caminho ia perguntando aos deuses se alguém tinha o contacto do Turner. Precisava tanto de falar com ele… Fui rindo, um ramalhete de nervos, fui sorrindo, um ocre de areias finas, e agarrei a palavra salsugem como um amuleto onde me pudesse esconder. Senti por uma linha infinita de intimidade um abraço que me era estendido de uma maneira muito sublime.

Quando entrámos em casa, deixei  o lodo fictício a adubar todo o jardim...

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