Fui programando as várias etapas que tinha pela frente. A contagem foi derramando números até ao princípio do caos.
Vamos agora colocar um bocadinho de ordem nisto. Primeiro ponto. Seria o mais fácil? A parede estava muito bem aparelhada. Obra de um profissional. O que se traduzia numa responsabilidade acrescida para mim. Nada como começar a destruir tudo. Assim, passei o resto da tarde de espátula e de gamela de trolha a dar china clay na parede, para tentar o efeito de textura e de movimento. Foi um processo longo e demorado. A parede cada vez crescia mais. A chuva volta e meia contracenava com o Maximizing the audience, do senhor Mertens, que tinha no ar em modo “repeat”. Passado não sei quanto tempo, a Isca miou! Engraçado, uma cadela a miar. Devia ser fome. Devia estar com uma fome de gato. Lá fora era noite. E vento. E trepideira ambiental. Peguei na cadela ao colo e afaguei-lhe as orelhas. Ganiu. Sim, era fome. Fomos para a cozinha. Abri portas. Abri armários. Encontrei material potente de sobrevivência.
Num anexo quase escondido, abri e entrei. A cadela a meu lado, a cheirar o ar. A olhar para cima. E de repente a sorrir. Olhei para cima. Ele olhou para baixo e sorriu-nos. Era um senhor presunto embrulhado num pano branco que até apetecia beijar. Assim que o baixei, a aquilatar a descoberta, o cão uivou. Eu também! Estávamos perante uma obra-prima da culinária porcina!! A música, lá na sala, ainda engasgou no “the Fosse”. Cinco, dez vezes. A Isquinha, salivava de tal maneira que construiu um pantano.
Há intervalos que sabem a mel...

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