terça-feira, 21 de janeiro de 2025

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Peguei nos vários embrulhos, nas várias caixas da encomenda e fui colocando por ordem na sala dos Sacrilégios. Tudo muito arrumadinho na sua devida ordem. Sentia alguma solenidade no momento.

Era o meu momento. “i am bird now”, o Senhor Antony dançava nas paredes do espaço a criar suspense. Subi o som. Senti a vertigem. Continuei a desembrulhar o material. Senti um carreiro de formiguinhas a roer-me os pés. Senti as cócegas dum cardume de bóguinhas a morder-me os calcanhares. Se calhar de umas férias em Rio-de-Onor. Sorri. A cadela suspirou… Espreguiçou-se… E apertou a vontade.

Depois acordei a esbelta escada de alumínio, deitada no chão, seis degraus e uma prancha. Azul. Tirei-lhe o plástico protector, abri-a e subi até meio. A medir alturas. Perfeita. Desci, cortei uma fatia crocante do pão de Pitões, uma grande fatia, subi até cima, sentei-me a meditar enquanto roía aquele centeio dos deuses. Bucas do miôlo atirava ao dóguinho. A dividir sabores. A música tinha terminado. Fechei os olhos. Segundos. Era o meu momento. A cadela ganiu. Pensou-me fugido para outras paragens. Despertou-me. Desci e peguei nela ao colo a explicar-lhe todas as tormentas que tínhamos pela frente.

Um bagacinho agora vinha mesmo a calhar. Dividi a meias com a Isquinha. Eu bebi o bagaço, ela lambeu o cálice. Coloquei uma canção do Sr. Brel cantada pelo Senhor Bowie; Amsterdam… O volume a rasgar… Na parede fez-se Luz! Pois  seja o que deus quiser...

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