- o senhor podia ser minha mãe? Como é que sabe o meu nome? - Amigo, nos dias de hoje é tudo híbrido. Sabe disso porque deu muito milho aos pombos. E digo-lhe mais. Agradeço ao seu pai o facto de me ter tornado pintor. - O senhor está a mangar comigo, só pode. Mas como sabe isso dos pombos?? - Tenha calma, sente-se e escolha um bom maduro.
De copos vazios não reza a história dos baldios. - Ouça, o que tem o meu pai a ver com este imbróglio? - O seu pai foi um grande vidente. Via bacalhaus à volta da lua e fez grande negócio com isso.
A vossa mercearia era uma espécie de escritório para o que aconteceu a seguir. Depois da grande reportagem que o jornal de notícias fez, aos fins de semana, em S. Roque, era uma peregrinação de crentes para curarem todos os problemas existenciais! - Como é que sabe disso?? Passaram-se cinquenta anos!! - Muito simples, meu caro Watson, eu era vosso vizinho cinquenta metros mais acima… - ????? Carailho!! tu, tu, tu és o… - Tenta acertar… Pagas o binho!! - Tu és o Nelo!! - Boa!! temos o binho pago! - Nelo!!! Esta agora!!! E agora és pintor?? - Faço pela bidinha e tento não defraudar o castigo dos deuses… - Mas o que tem a ver o meu pai com a tua pintura? - Muito simples meu caro Ólices! - Ulisses!! - Ou o Lices, o que quizeres. Concorrri a um prémio de pintura. Há uns anos do século passado. E pintei um cardume de bacalhaus à volta da Lua.
Pensei que na época de Natal a coisa se vendia… E ganhei o Prémio. E comecei a usar a vidência do senhor Terra, teu pai, para a mistura entre o terreno e o cósmico. Continuo a pintar mas agora ando a juntar pontas soltas para explicar esta longa caminhada. Vocês depois foram morar para a rua das Antas, e tu tinhas um brilhante negócio de pombos correio… Depois de teres dado cabo do negócio do teu pai!
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