Era o fim da tarde quando ouviu apitar o padeiro espanhol. Juntou os trocos e foi a correr comprar uma empanadilla para o jantar. Tinha umas delícias empanadas de cebola e carne picada de lamber o pacote onde vinham embrulhadas. Na primeira trinca, apoiada em fome, soube a papel rasgado. Viu logo que era outra mensagem.
Regurgitou um papel azul de 25 linhas e pensou que era uma rifa. Quando leu a mensagem sorriu. Tinha um desenho de sete peixes azuis, um mapa em relevo extra, a situar um Tasco no Porto, em Justino Teixeira. Um encontro marcado para ser avaliado por um escritor e psicólogo. Não dizia mais nada. Acabou por comer a rifa como sobremesa, bebeu um copo de penalty, arrotou e foi-se deitar. No dia seguinte, depois de algumas boleias e de um combóio final, estava em Campanhã eram cinco da tarde. Tinha chegado nadinha, nadinha a tempo, pensou.
Deixou o apito dos combóios para trás e subiu ao Tasco do Fonseca. Sorria. Ia começar tudo de novo. Levava uma mochila antiga, esfarrapada, e a andrajosa figura dum louco da montanha. Sorria e não acreditava em nada. Lá estava ela, a Casa Fonseca. Agora com um porta de alumínio. Estacou. Aspirou e sentiu o mesmo cheiro de sempre. Fritos. Vinho. Conversas do Aniqui-bóbó. Entrou. Tinha gente. Foi medido de alto a baixo! - Boas tardes. - Boas tardes, responderam. Sentou-se. Estava cansado e tinha fome. Viu uns panados a sorrir pra ele dentro duma vitrine, com raminhos de salsa e azeitonas soltas. A fome mostrou-lhe outras delícias. Chispes luzidios, orelha em azeite com cebola picada, nacos reluzentes de leitão tostado, rojões gordinhos com tripa enfarinhada…
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