domingo, 3 de março de 2024

Flor Agreste (3)

Bem, nesse curto período da minha vida tinha vivido um turbilhão de momentos mágicos tão belos que dum momento para o outro se me deparou um vazio tão profundo que eu não sabia dar saída. Não lhe posso chamar depressão. Mas sentia um mal estar tão grande, uma sensação de tédio, futilidade e coisas ocas que tardavam em abandonar de todo o meu estado de espírito. Nesses momentos nem o acto criativo me servia de amparo. Estava completamente desolado comigo e mais ainda com o mundo. Tanta força que tinha, onde se teria metido???
A minha única escapatória, era a a vantagem de morar perto da linha de comboio, perto da estação de Campanhã. E então lá fazia quilómetros e quilómetros a deambular linha fora, a ver passar comboios, e a tentar espezinhar fantasmas em cada travessa de madeira que sustentava cada carril. 

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